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riscos_e_rabiscos

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Vertigo

 

Não sei se hoje deveria ter saído de casa… Algo me diz que não. Mas eu sou persistente. E insistente. Mas não chata. Acho eu!

 

Desde a manhã que eu me sentia muito estranha e mole, como já tinha referido. Mas a coisa foi piorando um pouco. À hora de almoço estava ultra maldisposta e incapaz de trincar algo. Fiz um esforço sobre-humano para almoçar – não digam nada a ninguém mas reparti o almoço com o Bóbi – pois tive receio que se não comesse me desse alguma coisinha má durante uma aula.

 

Estava mesmo mal. Preparei-me e arranquei para as aulas. Ao sair para a rua, constatei que a todas aquelas maleitas se tinha juntado mais uma, há muito desaparecida: a vertigem!

Foi pôr um pézinho na rua e sentir aquela sensação rodopiante. Que fixe! Era mesmo isto que me faltava!

 

Não tive outra alternativa senão ir para a escola assim. Senti-me a ir aos ziguezagues e desengonçada rua abaixo. Até os pés pareciam pesar toneladas… Bah!

Cheguei ao colégio e emborquei um café na esperança de assentar ideias. Sinceramente, não sei se fez efeito ou não. O chão continuou oscilante mas não sei de era das vertigens ou efeitos da descoberta que estou a dar aulas num ninho de cobras… Ainda bem que eu sou uma moça sugadita e que não mete o nariz onde não é chamada. Bolas!

 

Continuo mal disposta. Para completar o cenário, só faltou mesmo um choque frontal com um pombo. Ia sendo mas não foi. Escapei. Só não escapei da pouca-vergonha de um casal de pombos estar na pinokada mesmo no meio do meu caminho. O pombo estava tão contente que esticou as asas e começou a abanicá-las. Já não há respeito por ninguém! Acham que isto é normal? Não é, pois não?!? Hummm…

O Dia Seguinte

 

Alguém sabe onde está o livro de reclamações do tempo? Tenho umas coisinhas para reclamar… Quer dizer, tivémos uns dias maravilhosos de sol e temperatura quente e hoje acordamos assim… meio cinzentos… bem fresquinho…

 

Se a vontade de ir trabalhar já não era muita após um fim-de-semana prolongado, com um dia assim tão “murcho” apetece mesmo é ficar em casa a descansar do fim-de-semana, de papo para o ar, no dolce fare niente! Tenho razão, não tenho?!

 

Já me apercebi que vou começar a semana muito bem. Esqueci-me de deixar o material a fotocopiar para o Mother’s Day. O que significa isto? Que estou frita, pois claro! Sempre quero ver qual vai ser a minha capacidade de desenrasque logo à primeira hora. Turma grande, crianças ansiosas, primeiros anos, pouca destreza manual e pouca rapidez! Ai Pessoinha!!! Tens de passar a andar com um post-it colado na ponta do nariz.

 

Já vos contei que estou com uma moleza descomunal em cima? Ah pois é! Se não arrebito, é hoje que os putos fazem uma revolução na sala de aula. Devem vir frescos e fofos! Imagino que a maior parte deles deve ter ido passar o fim-de-semana para a neve ou para uma praia paradisíaca qualquer. Já sei como é. Os putos vêm excitadíssimos e querem contar-me tudo. Atropelam-se e penduram-se em mim para serem os primeiros a contar…

 

Bom, vou ali tratar do material escolar e já venho… Enjoy yourselves!

 

 

I Am Beautiful

Decidi colocar esta música para todos aqueles com low self esteem... Semana nova, disposição nova e um reforço positivo faz maravilhas! 

 

Don't look at me

Every day is so wonderful
And suddenly, it's hard to breathe
Now and then, I get insecure
From all the pain, I'm so ashamed

I am beautiful no matter what they say
Words can't bring me down
I am beautiful in every single way
Yes, words can't bring me down
Oh no, so don't you bring me down today

To all your friends, you're delirious
So consumed in all your doom
Trying hard to fill the emptiness
The pieces is gone left the puzzle undone
Is that the way it is

You are beautiful no matter what they say
Words can't bring you down, oh no
You are beautiful in every single way
Yes, words can't bring you down, oh no
So don't you bring me down today

No matter what we do
(no matter what we do)
No matter what they say
(no matter what they say)
We're the song inside the tune full of beautiful mistakes


And everywhere we go
(everywhere we go)
The will always shine
(sun will always shine)
But tomorrow we might awake
On the other side

We are beautiful no matter what they say
Yes, words won't bring us down, oh no
We are beautiful in every single way
Yes, words can't bring us down, oh no
So don't you bring me down today

Don't you bring me down today
Don't you bring me down today

Já Não Sei Voar

 

Cortaram-me as asas

E eu já não sei voar…

Delicada como uma flor,

Frágil como uma borboleta,

A clausura prende-me

Como a um belo pássaro exótico

Dentro de uma gaiola dourada.

Transformei-me num objecto

De admiração e cobiça,

De valor incalculável.

Mas sem asas para voar.

Espero eternamente

Uma mão que me liberte

Que me mostre outros mundos

E a liberdade.

Que me ensine o que é viver

E o que é sentir.

Cortaram-me as asas

E eu já não sei voar…

                                                        C.C.B.

 

Tuga´s Holidays Plans

 

Os Tugas são um povo muito engraçado e sui generis. Têm habitos de vivência, sobrevivência e convivência algo estranhos.

Se há uma coisa de que os tugas gostam é de dias de ócio. Não importa se são folgas, feriados ou fins-de-semana prolongados. Todos anseiam por umas mini-férias, de uns dias fora do seu habitat "normal".

Seguem em família (tuga-mãe, tuga-pai e tuga-filhos) nos seus veículos atulhados de tralha, ou seja meia casa,  para os destinos desejados: Santa terrinha ou praia. É vê-los felizes e contentes, voando estradas afora para chegar primeiro do que os outros.

Mas estes são os felizardos que têm uns trocos que podem dispensar para "extras".

Então e os outros cuja conjuntura económica não lhes é favorável? Como será que reagem perante fins-de-semana grandes?

Com as construções gigantescas de grandes centros de consumo, o Tuga dispensa largas horas a desfilar - quer só, quer em família - pelos longos corredores, em busca de bens cobiçados.

Outros dirigem-se a outros tipos de centros de consumo mas, desta vez, de bens necessários à sua sobrevivência. Ou pelo menos espera-se que grande parte deles o seja.

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É aqui que conseguimos observar como o Tuga interage em grupo. Como respeita o seu espaço e o dos outros. Parecem formigas trabalhadeiras mas da forma mais desorganizada possível. Instrumento de recolha de alimentos para um lado - de preferência no meio do caminho dos outros - correria para o outro, bens alímenticios indesejados largados ao acaso e até rebeliões em filas de espera!

 

Como eu pertenço ao grupo dos desfavorecidos pela conjubtura económica, limitei-me a ficar pelo meu habitat natural. E como tal, segui a linha orientadora dos outros tugas... Adivinhem onde me fui meter? Isso mesmo! Como temos de alimentar a estrutura que suporta cada Tuga, fui em busca de bens alimentícios... e como não me chegou num dia, tive de ir em dois!!!

Agora digam lá, não havia coisas melhores para fazer do ir-me enfiar nas compras dois dias seguidos? Tugas... bah!

Um Dia Histórico...

... não só para Portugal mas também para mim, que tenho memória muito vivas desse dia.

Lembro-me que estava um dia de calor talvez como hoje, lembro-me dos helicópteros a sobrevoarem a minha zona, de sentir medo e da minha mãe pedir desesperadamente para que o meu pai chegasse a casa.

Era uma miúda e não percebi nada do que estava a acontecer. Não tinha compreensão suficiente para perceber a importância daqueles acontecimentos e daquela luta pelo direito à liberdade.

Com a minha inocência própria de criança, acompanhei o meu pai às manifestações, cantei, gritei e protestei, sem no entanto, ter consciência de que aquela luta também se iria reflectir no meu futuro.

Espantou-se o nosso ministro pela pouca importância e até desconhecimento, dos jovens,  da relevância deste dia para a vida dos portugueses. Isto a mim não me surpreende nada.

Se para mim, que ainda vivi no pré-25 de abril e vivi a revolução, os acontecimentos estão tão distantes, porque é que os jovens de hoje deveriam sentir uma grande empolgação?

Desconhecem o que é a privação da liberdade de actos e de discurso. Talvez não fosse mal pensado fazer acções de sensibilização nas escolas e noutros organismos para mostrar como era Portugal antes da revolução.

Viva a Liberdade e a Justiça!

Apetece-me.

 

Apetece-me um dia de primavera

Apetece-me a carícia do sol na cara

Apetece-me um beijo com sabor a mar

Apetece-me o cheiro das magnólias

Apetece-me uma flor nos cabelos

Apetece-me a brisa suave que percorre os campos

Apetece-me o frescor de um gelado na boca

Apetece-me um afago na mão

Apetece-me sentir o calor da terra nos pés descalços

Apetece-me o aroma intenso de um café acabado de fazer

Apetece-me a inocência do primeiro amor

Apetece-me fazer amor contigo pela primeira vez

 

Simplesmente… Apetece-me!

 

 

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